top of page

“Laurez Fala em ‘Vaidade’, mas Contradições da Gestão Interina Vêm à Tona”

Saída da Vice-Governadoria do Palácio Araguaia ocorre após período marcado por atos que afrontaram princípios da administração pública



A retirada do gabinete do vice-governador Laurez Moreira das dependências do Palácio Araguaia, sede oficial do Poder Executivo do Tocantins, não é um fato isolado nem pode ser interpretada apenas como uma reorganização administrativa. A crise institucional entre o vice-governador e o governador Wanderlei já existia, mas se agravou durante o período de interinidade de Laurez, tornando-se mais visível e profunda. A convivência dentro do Palácio tornou-se politicamente e institucionalmente insustentável. E isso não decorre apenas de divergências pessoais ou eleitorais, mas de um histórico recente de decisões adotadas durante a gestão interina que extrapolaram os limites legais do cargo e afrontaram princípios basilares da administração pública.


Quando um vice-governador assume o comando do Estado de forma interina, sua missão é garantir a continuidade administrativa, preservar a institucionalidade e manter a neutralidade política da máquina pública. A interinidade não confere poderes ampliados nem autoriza mudanças estruturais, simbólicas ou comunicacionais que caracterizem ruptura de governo.


No entanto, durante o período em que esteve à frente do Executivo, Laurez promoveu uma série de atos que vão além da gestão ordinária, como a mudança da identidade visual do Governo do Tocantins, a adoção de nova comunicação institucional e a retirada deliberada de símbolos vinculados à gestão do governador titular.


Governo interino de Laurez Moreira lançou nova identidade após 27 dias de comando no estado do Tocantins
Governo interino de Laurez Moreira lançou nova identidade após 27 dias de comando no estado do Tocantins

Segundo apuração do Opinativo Político, há registros visuais e materiais que comprovam que retratos oficiais do governador foram descartados de forma deliberada durante o governo interino, um gesto que, do ponto de vista administrativo, não encontra respaldo legal.


Retratos do governador Wanderlei Barbosa descartados durante a gestão interina de Laurez Moreira
Retratos do governador Wanderlei Barbosa descartados durante a gestão interina de Laurez Moreira

Em tese, o descarte deliberado de retratos oficiais pode configurar ilegalidade administrativa, uma vez que esses bens integram o patrimônio público material e simbólico do Estado e não pertencem a governos ou gestores específicos. A ausência de procedimento administrativo formal para inutilização ou baixa do bem, aliada ao caráter precário da interinidade, pode caracterizar violação aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa, previstos no artigo 37 da Constituição Federal, além de possível enquadramento como dano ao patrimônio público, nos termos da Lei nº 8.429/1992, desde que comprovado o dolo.


Símbolos do Estado não pertencem a governos


Retratos oficiais, logomarcas e identidade visual não são propriedade de gestores ou de mandatos específicos. Eles integram o patrimônio simbólico do Estado e devem respeitar o princípio da continuidade administrativa. A retirada ou descarte desses símbolos, especialmente por um governante interino, assume caráter político e simbólico, rompendo com a neutralidade exigida do cargo e levantando questionamentos sobre legalidade e moralidade administrativa.


Esse conjunto de atos ajuda a explicar por que a permanência do gabinete da Vice-Governadoria no Palácio Araguaia se tornou inviável. O Palácio, que deveria ser espaço de coordenação institucional, acabou marcado por gestos de confronto e desgaste político acumulado.


O que diz a lei sobre atos de governo interino


A administração pública brasileira é regida por princípios constitucionais que se aplicam a todos os agentes públicos, com rigor ainda maior em períodos de transição ou interinidade. A Constituição Federal, em seu artigo 37, determina que a administração pública deve obedecer aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.


Pelo princípio da legalidade, o gestor público só pode agir quando houver autorização legal expressa. Não há previsão normativa que autorize governante interino a alterar logomarca, slogan ou identidade visual do Estado, sobretudo quando essas mudanças não decorrem de lei ou decreto específico com finalidade técnica comprovada.


O princípio da impessoalidade estabelece que a publicidade e os símbolos oficiais devem servir ao interesse público, e não à promoção de governos, gestores ou projetos pessoais. Símbolos do Estado pertencem à coletividade, e sua substituição ou descarte pode caracterizar personalização indevida da administração.


Já o princípio da moralidade administrativa impõe padrão ético elevado à atuação do gestor público. Atos que afrontam a liturgia do cargo, rompem a continuidade institucional ou tenham motivação política explícita violam esse dever, ainda que não haja dano financeiro direto.


Tribunais de Contas estaduais e o Tribunal de Contas da União possuem entendimento consolidado de que a publicidade institucional não pode conter marcas, slogans ou símbolos que caracterizem promoção de gestão ou autoridade. Decisões reiteradas do TCU e de diversos TCEs vedam a adoção de logomarcas de governo em substituição à identidade oficial do ente federativo, especialmente em períodos de transição administrativa.


Esse entendimento é aplicado com ainda mais rigor em contextos de interinidade, justamente para impedir o uso político da máquina pública e preservar a neutralidade institucional.


Além disso, a Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992) prevê que atos que violem princípios da administração pública, mesmo sem enriquecimento ilícito ou prejuízo financeiro, podem ensejar responsabilização do agente público.

Em síntese, governos interinos devem se limitar à gestão ordinária, não podem promover mudanças simbólicas estruturais, não podem personalizar a identidade do Estado e não podem descartar símbolos institucionais por motivação política.


Crise institucional com reflexos duradouros


A retirada do gabinete da Vice-Governadoria do Palácio Araguaia é, portanto, consequência de um processo de desgaste institucional que teve início ainda durante o governo interino. Não se trata apenas de espaço físico, mas de uma ruptura política e administrativa que comprometeu a convivência interna do Executivo.


O episódio reforça a necessidade de respeito aos limites legais da interinidade e reacende o debate sobre responsabilidade administrativa em períodos de transição. Governos passam, mas o Estado permanece e é justamente por isso que a institucionalidade não pode ser tratada como instrumento de disputa política.


Posicionamento do Governador em entrevista ao Gazeta do Cerrado e vídeos que circulam na internet


Despejado não, ele foi para um outro ambiente, eles estavam sem utilizar o gabinete desde que eu voltei para o governo, nós achamos aquele espaço estava mal utilizado. Então ele foi para um ambiente que é parte do nosso governo, que já estava pago, mobiliado, para que ele fizesse um trabalho mais à vontade, já que ele não estava se sentindo confortável no palácio. Tem um novo destino, lá perto do Parque dos 21 anos, onde abriga algumas secretarias nossas. Isso não tem nenhum problema, o vice-governador não tem que dizer que ele tem que estar dentro do palácio, que ele tem que estar dentro do palácio ao governador. O vice-governador pode estar em um outro ambiente se ele for convocado. Para trabalhar no palácio ou no governo, ele tem o gabinete do governador para ele exercer. Respondeu Wanderlei Barbosa a entrevista.

Posicionamento de Laurez Moreira


Laurez diz que foi surpreendido com retirada de gabinete do palácio
Laurez diz que foi surpreendido com retirada de gabinete do palácio

1 comentário

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Erick
há 3 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Muito bem desenhado e explicado

Curtir

Receba nossas atualizações

Obrigado pelo envio!

Confira nossa última publicação

  • Instagram
  • Youtube
  • TikTok
  • Facebook ícone social
  • X

Siga-nos

© 2023 - Opinativo Político

bottom of page