Tudo o que se sabe sobre a prisão, no Tocantins, de investigado por banco digital suspeito de movimentar R$ 8 bilhões para o PCC
- Wasthen Menezes

- há 2 horas
- 3 min de leitura
João Gabriel de Mello Yamawaki, investigado pela Polícia Civil de São Paulo por participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado, foi preso no sudeste do Tocantins após meses foragido da Justiça.

A prisão de João Gabriel de Mello Yamawaki ganhou repercussão nacional após vir a público nos últimos dias. Ele é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por participação em um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado bilhões de reais por meio de uma estrutura financeira digital.
Segundo as investigações, Yamawaki estaria ligado ao 4TBANK, um banco digital apontado pelas autoridades como parte de uma estrutura financeira utilizada para movimentações suspeitas associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com as apurações, o sistema financeiro investigado pode ter movimentado até R$ 8 bilhões em transações consideradas suspeitas, valor que passou a chamar atenção das autoridades responsáveis pela investigação.
Quando ocorreu a prisão
João Gabriel de Mello Yamawaki foi preso em 25 de fevereiro de 2026, no município de Arraias, na região sudeste do Tocantins.
Ele era considerado foragido da Justiça de São Paulo desde abril de 2025, quando passou a ser alvo de investigações relacionadas ao esquema financeiro investigado.
Após a prisão, ele foi encaminhado ao sistema prisional do estado e permanece detido na Unidade Penal de Palmas, à disposição da Justiça.
Como ele foi encontrado
A prisão ocorreu durante diligências policiais realizadas na região após investigações sobre um voo clandestino suspeito de transportar drogas da Bolívia para o Tocantins.
Durante as buscas, o gerente de uma fazenda acionou a polícia após um homem chegar ao local a pé, sem camisa e pedindo água, sem informar sua identidade.
Quando os policiais chegaram ao local e realizaram a verificação dos dados, identificaram que se tratava do investigado procurado pela Justiça.
Segundo relatos citados em reportagens sobre o caso, ele teria caminhado cerca de 40 quilômetros antes de ser localizado.
O banco digital investigado
As investigações apontam que Yamawaki teria participação na criação ou operação do 4TBANK, uma plataforma financeira digital investigada por supostamente operar sem autorização do Banco Central.
De acordo com as autoridades, a estrutura teria sido utilizada para movimentar recursos ligados a atividades criminosas, incluindo valores suspeitos provenientes do tráfico de drogas.
Segundo a investigação, o sistema financeiro investigado teria movimentado até R$ 8 bilhões entre os anos de 2019 e 2024.
O caso faz parte de uma investigação conduzida no âmbito da Operação Decurio, da Polícia Civil de São Paulo, que apura possíveis esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo estruturas financeiras digitais.
Empresas registradas no Tocantins aparecem na investigação
Reportagem publicada pelo Jornal Opção Tocantins aponta que empresas registradas em Palmas aparecem na estrutura empresarial analisada durante a investigação do banco digital 4TBANK.
Segundo o levantamento do veículo, registros societários indicam que companhias sediadas no Tocantins estariam vinculadas ao grupo empresarial investigado pelas autoridades.
Essas empresas fariam parte da estrutura empresarial utilizada pela plataforma financeira investigada.
Até o momento, no entanto, não há informação de condenação envolvendo as empresas citadas, e as investigações seguem em andamento.
Pontos que ainda não estão confirmados
Apesar da repercussão do caso, algumas informações que circulam nas redes sociais não foram confirmadas pelas investigações ou pelas reportagens publicadas até agora.
Entre elas:
que o investigado seja líder do PCC;
que o banco digital investigado pertença oficialmente à facção criminosa;
que todo o valor citado na investigação seja comprovadamente proveniente de atividades ilícitas;
que as empresas registradas no Tocantins tenham participação direta comprovada no esquema.
Até o momento, as autoridades tratam o caso como investigação em andamento.
Questões que ainda precisam ser esclarecidas
O caso também levanta algumas questões que ainda dependem de esclarecimentos ao longo das investigações.
Entre elas:
qual era exatamente o papel de João Gabriel de Mello Yamawaki dentro da estrutura do banco digital investigado;
qual a participação das empresas registradas no Tocantins dentro da estrutura financeira investigada;
se houve movimentação de recursos ligados ao esquema dentro do estado;
e qual era a dimensão real da estrutura financeira investigada.
Esses pontos deverão ser esclarecidos no decorrer das investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo.
O que diz a defesa
A defesa de João Gabriel de Mello Yamawaki afirma que a prisão teria ocorrido de forma irregular e sustenta que o investigado nega envolvimento com os crimes investigados.
Segundo os advogados, a inocência do investigado deverá ser demonstrada no decorrer do processo judicial.
As investigações continuam.
Fontes da reportagem
AF Notícias
AC24Horas
Lucas Lima Notícias
Jornal Opção Tocantins
Jornal Opção Tocantins (empresas investigadas)




Comentários