Wagner Exonera Secretário Indicado por Alexandre Guimarães e Acende Alerta de Ruptura Política em Araguaína
- Wasthen Menezes

- há 31 minutos
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A exoneração do secretário executivo da Saúde de Araguaína, Adriano Noleto Bessa, indicado pelo deputado federal Alexandre Guimarães (MDB), movimentou intensamente os bastidores políticos da maior cidade do norte do Tocantins e levantou questionamentos sobre o futuro das alianças para as eleições de 2026. A informação foi divulgada inicialmente pelo AF Notícias.
O ato foi oficializado por meio de portaria publicada no Diário Oficial do Município na última sexta-feira (23). Diferentemente do que costuma ocorrer em mudanças administrativas, a exoneração não foi apresentada como “a pedido” nem veio acompanhada de qualquer justificativa pública por parte da Prefeitura de Araguaína, o que ampliou as especulações políticas em torno da decisão.
Nas redes sociais, Adriano Bessa adotou um tom institucional e agradeceu ao prefeito Wagner Rodrigues (União Brasil) pela confiança durante o período em que esteve à frente da função. O ex-secretário também fez menção ao apoio do deputado Alexandre Guimarães, a quem atribuiu parte de sua trajetória na gestão municipal.
Apesar do discurso público de cordialidade, a ausência de explicações oficiais sobre a saída do secretário gerou interpretações políticas imediatas, sobretudo porque a indicação de Bessa partiu diretamente de Alexandre Guimarães, um dos principais aliados de Wagner no processo eleitoral de 2024.
Aliança que elegeu, mas pode não se manter
A relação entre Wagner Rodrigues e Alexandre Guimarães ganhou força no último pleito municipal, quando o deputado indicou seu irmão, Israel Guimarães, para compor a chapa vitoriosa como vice-prefeito. A aliança foi vista, à época, como um dos pilares da vitória eleitoral do atual prefeito.
No entanto, com o avanço das articulações para 2026, o cenário político estadual começa a se reorganizar. Alexandre Guimarães é apontado como pré-candidato ao Senado Federal, enquanto Wagner já manifestou apoio público à reeleição do senador Eduardo Gomes (PL), à pré-candidatura da senadora Dorinha Seabra (UB) ao Governo do Tocantins e à reeleição do deputado federal Tiago Dimas.
Nesse contexto, a segunda vaga ao Senado no campo político de Wagner permanece indefinida, com nomes como Carlos Gaguim (UB) e Irajá (PSD) sendo cogitados, o que naturalmente reduz o espaço político para Alexandre Guimarães dentro do atual desenho de alianças.
Decisão administrativa ou gesto político?
Oficialmente, a Prefeitura de Araguaína trata a exoneração como uma decisão administrativa interna. Contudo, nos bastidores, lideranças partidárias e analistas políticos interpretam o movimento como um sinal de reconfiguração de forças dentro do grupo político que governa o município.
A saída de um secretário indicado por um deputado federal, sem explicações públicas, dificilmente passa despercebida em um ambiente pré-eleitoral. Para muitos, o episódio simboliza o início de um distanciamento político entre Wagner Rodrigues e Alexandre Guimarães, ainda que sem declaração formal de rompimento.
Opinião
A exoneração de Adriano Bessa vai muito além da troca de nomes em uma secretaria. Pode tratar-se de um gesto de autonomia política de Wagner Rodrigues.
Na prática, Alexandre Guimarães perde:
espaço na máquina municipal,
capacidade de influência local,
e visibilidade política dentro do principal colégio eleitoral do norte do Estado.
Já Wagner ganha:
controle total da gestão,
liberdade para negociar alianças,
e posição de força nas articulações estaduais.
Mesmo que ninguém admita publicamente, o fato político é claro: a aliança está enfraquecida e caminha para um rompimento funcional, ainda que travestido de discurso institucional.
Em política, raramente os rompimentos começam com discursos duros. Eles começam com atos silenciosos e a exoneração foi exatamente isso.




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