Trégua conveniente: aliança entre Carlesse e Laurez expõe jogo de interesses no tabuleiro político do Tocantins
- Wasthen Menezes

- há 3 dias
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A presença conjunta de Mauro Carlesse e Laurez Moreira, apresentada publicamente como sinal de conciliação, tem sido lida nos bastidores como algo bem menos romântico: um movimento calculado de sobrevivência política em meio à reorganização das forças eleitorais no Tocantins.
A articulação, atribuída diretamente ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, revela um esforço claro de reposicionamento partidário, com o objetivo de ocupar espaço no campo de centro-direita, justamente num momento em que se desenha uma forte tendência de formação de uma majoritária envolvendo PT e PSB.
Ou seja, a aliança não nasce de convergência ideológica, mas da necessidade pragmática de não ficar fora do jogo.
Desde o afastamento de Carlesse do governo, uma série de lideranças ficou politicamente à deriva. A filiação ao PSD surge, nesse contexto, como tentativa de reaglutinar um grupo que perdeu densidade, estrutura e protagonismo, usando a sigla como plataforma de retorno ao centro do poder.
A reaproximação com Laurez, após anos de rivalidade, reforça a leitura de que o que está em curso não é uma reconciliação real, mas uma suspensão temporária de conflitos em nome da conveniência eleitoral.
Mais do que redesenhar o tabuleiro, o movimento expõe uma prática recorrente da política tocantinense: alianças que mudam conforme a necessidade, não conforme princípios, e partidos usados menos como espaços programáticos e mais como instrumentos de negociação de poder.
No fim, o recado é claro: quando antigas inimizades viram parceria da noite para o dia, não se trata de maturidade política, trata-se de cálculo. E, como sempre, quem fica em segundo plano nesse jogo é o eleitor, chamado apenas para legitimar acordos que já chegam prontos.




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