“Quem me voltou foi o Judiciário”: após repercussão, Wanderlei detalha compromissos citados em Brasília
- Wasthen Menezes

- há 5 dias
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Declarações do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, sobre o período em que esteve afastado do cargo e articulava seu retorno ao governo ganharam repercussão na terça-feira (24), após fala realizada no município de Formoso do Araguaia, onde ele mencionou compromissos políticos firmados com aliados durante agendas em Brasília.
O trecho que concentrou maior atenção foi o seguinte:
“[…] Esse compromisso foi feito com aquiescência ou aliás ou aliás com a provocação feita a mim pelo pelo presidente Amélio Cayres. Ele me ligou junto com o deputado Vilmar de Oliveira, e falou: governador, faça o compromisso que você precisar fazer, se você retornar ao governo aí em Brasília. E nós fizemos esse compromisso e ele sabe disso e não nega.”
Na mesma sequência, Wanderlei também afirmou:
“Eu tenho o compromisso feito com a senadora professora Dorinha.”
Ainda na fala de 24 de março, em Formoso do Araguaia, o governador tratou da relação com aliados políticos e reforçou que os acordos foram construídos dentro de um grupo:
“Nós temos que nos reunir justamente porque a gente tem esses compromissos.” [...] “Nosso grupo tem força, nosso grupo é unido.”[...] “Eu não vou fazer um compromisso e fazer de conta que não fiz.”
Também nesse contexto, Wanderlei mencionou a participação de aliados nas articulações políticas:
“Foi sugerido pelo presidente Amélio Cayres. Ele me ligou de vídeo junto com o deputado Vilmar.”
As declarações repercutiram ao longo da terça-feira (24), sobretudo pelo trecho em que o governador fala em compromisso assumido durante o período em que buscava retornar ao cargo.
O que a fala de Formoso mostra
Pelo conteúdo da declaração feita em Formoso do Araguaia, é possível identificar que Wanderlei Barbosa relatou:
a existência de compromissos políticos com aliados;
articulações feitas em Brasília durante o período de afastamento;
participação de lideranças políticas nessas tratativas;
reconhecimento público de que esses compromissos foram assumidos.
Ao mesmo tempo, a fala de 24 de março não traz, de forma expressa, menção a decisão judicial, STF ou qualquer afirmação direta de interferência institucional.
Nova fala em Araguaína ocorre no dia seguinte após repercussão
Já na quarta-feira (25), em Araguaína, um dia após a repercussão da fala anterior, Wanderlei Barbosa voltou ao tema e deu novos detalhes sobre o sentido dos compromissos mencionados.
Na nova declaração, o governador afirmou que o compromisso citado não era para garantir sua volta ao cargo, mas para assegurar apoio político em Brasília:
“Houve um compromisso. Esse compromisso não era para ela me voltar, não. Era para que ela me desse apoio lá.”
Na fala, o pronome “ela” faz referência à senadora professora Dorinha, já citada pelo governador no dia anterior.
Em seguida, Wanderlei fez uma distinção direta entre apoio político e decisão institucional:
“Quem me voltou foi o Poder Judiciário.”
O governador também declarou que recebeu apoio político durante o período em que esteve em Brasília:
“A senadora professora Dorinha e o senador Eduardo Gomes me deram o apoio que eu precisava lá, andando comigo, estando do meu lado.” [...] “Me motivando e mostrando a verdade onde precisava mostrar para que a gente pudesse retornar ao nosso mandato.”
O que a fala de Araguaína acrescenta
A declaração dada em Araguaína, no dia 25, acrescenta um elemento que não aparecia com a mesma clareza na fala anterior: a tentativa do governador de delimitar que os compromissos mencionados estavam ligados ao apoio político recebido em Brasília, e não ao ato formal de retorno ao cargo.
Ao afirmar que “quem me voltou foi o Poder Judiciário”, Wanderlei separa o apoio de aliados da decisão que resultou em sua recondução ao governo.
Linha do tempo das declarações
Na terça-feira, 24 de março, em Formoso do Araguaia, Wanderlei Barbosa falou em compromissos assumidos com aliados, citou a senadora professora Dorinha, mencionou Amélio Cayres e o deputado Vilmar e afirmou que não faria “de conta” que não havia firmado tais compromissos.
Na quarta-feira, 25 de março, em Araguaína, depois da repercussão da fala anterior, o governador voltou ao assunto e afirmou que o compromisso citado dizia respeito ao apoio político recebido em Brasília, acrescentando que sua volta ao cargo ocorreu por decisão do Poder Judiciário.
O que está dito e o que não está dito
Pelas duas falas, o que está dito é:
houve compromissos políticos;
houve apoio de aliados em Brasília;
Amélio Cayres, Dorinha, Eduardo Gomes e o deputado Vilmar são citados nesse contexto;
o governador afirma que a volta ao cargo ocorreu por decisão do Poder Judiciário.
O que não aparece, de forma expressa, nas declarações analisadas:
menção ao STF;
afirmação de interferência em decisão judicial;
declaração de obrigação institucional decorrente dos compromissos;
ligação direta, feita pelo próprio governador, entre os acordos políticos e a decisão judicial.
As falas de Wanderlei Barbosa sobre o período em que esteve afastado do governo tiveram dois momentos distintos. O primeiro, em Formoso do Araguaia, no dia 24, foi marcado pela menção direta a compromissos políticos assumidos com aliados. O segundo, em Araguaína, no dia 25, trouxe uma tentativa de delimitar o alcance desses compromissos, com a afirmação de que o apoio recebido em Brasília não se confundia com a decisão que o reconduziu ao cargo.
Assim, a sequência das declarações mostra, de um lado, o reconhecimento de articulações e compromissos políticos e, de outro, a afirmação de que o retorno ao governo se deu por decisão do Poder Judiciário.
A análise apresentada nesta matéria foi construída exclusivamente com base nas declarações públicas do próprio governador, considerando os trechos das falas realizadas nos dias 24, em Formoso do Araguaia, e 25 de março, em Araguaína. O conteúdo se limita ao que foi efetivamente dito, sem inclusão de interpretações, suposições ou informações não expressas nas declarações, com o objetivo de garantir precisão factual e fidelidade ao registro das falas.




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