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Operação ÔM3GA: Polícia Civil investiga esquema de corrupção com quatro prefeitos e suspeita de R$ 4 milhões em propinas no Tocantins

há 3 minutos
3 min de leitura

Mais de 100 policiais civis cumprem 70 mandados em 11 municípios. Investigação aponta suspeitas de fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e pagamentos ilegais a agentes públicos.


A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), a Operação ÔM3GA, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo prefeitos, vereadores, advogados, empresários e servidores públicos em diferentes municípios do estado.


A ofensiva mobiliza mais de 100 policiais civis para o cumprimento de 70 mandados de busca e apreensão contra 41 alvos, expedidos pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO).


Entre os investigados estão quatro prefeitos em exercício, um ex-prefeito, dois presidentes de câmaras municipais, sete advogados que atuam ou atuaram como procuradores municipais, quatro contadores, cinco empresários e outros agentes públicos.

A investigação aponta indícios de fraudes em licitações, peculato, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.


Operação alcança 11 municípios tocantinenses


Coordenada pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Araguaína (3ª DEIC), a operação integra a Operação Protetor das Divisas, desenvolvida sob coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública.


Os mandados são cumpridos em Araguaína, Palmas, Ananás, Arapoema, Darcinópolis, Pau D’Arco, Pedro Afonso, Nova Olinda, Palmeirante, Colinas do Tocantins e Figueirópolis.


As diligências atingem prefeituras, câmaras municipais, escritórios de advocacia, empresas e residências de investigados.


A presença de autoridades com prerrogativa de foro levou a investigação a tramitar no Tribunal de Justiça do Tocantins desde o início.


Suspeita de esquema milionário de corrupção

As investigações começaram em 2024, após a identificação de possíveis irregularidades em contratações públicas nos municípios de Nova Olinda e Darcinópolis.


Com o avanço das apurações, os investigadores encontraram indícios de que o grupo teria ampliado sua atuação para outros nove municípios.

Segundo a Polícia Civil, a estrutura investigada funcionaria a partir de dois núcleos principais.


O primeiro seria formado por sócios de um escritório de contabilidade. O segundo envolveria um casal proprietário de empresas especializadas em sistemas, digitalização e gestão documental.


A suspeita é de que contratos de serviços contábeis realizados sem licitação fossem utilizados como porta de entrada nas administrações municipais.

Depois de estabelecer relações com os órgãos públicos, os envolvidos supostamente direcionavam novas contratações para empresas ligadas ao grupo, incluindo serviços de engenharia, digitalização de documentos e locação de veículos.


Mais de R$ 10 milhões recebidos e R$ 4 milhões em possíveis propinas


Um dos pontos centrais da investigação é a movimentação financeira identificada pela Polícia Civil.

Entre 2021 e 2025, as contas das empresas de contabilidade investigadas receberam mais de R$ 10,3 milhões, provenientes principalmente de prefeituras, câmaras municipais e fundos públicos.


Desse montante, mais de R$ 4 milhões teriam sido repassados a agentes públicos e outras pessoas envolvidas no suposto esquema, como pagamentos de vantagens indevidas.


De acordo com os investigadores, esses repasses estariam relacionados ao favorecimento das empresas em contratações públicas.


A apuração também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo saques e depósitos fracionados em espécie, além da utilização de terceiros e empresas para movimentar recursos.


Planilha encontrada pela polícia registraria pagamentos identificados como “voltas”


Entre os documentos analisados está uma planilha de março de 2021, encontrada em arquivos digitais de um dos investigados.


Segundo a Polícia Civil, o material apresentaria registros de repasses financeiros a agentes públicos, classificados pelos próprios envolvidos como “voltas”.


Os investigadores também localizaram processos licitatórios, pareceres jurídicos, minutas contratuais e propostas editáveis atribuídas a empresas concorrentes.


Esses documentos reforçaram as suspeitas de que procedimentos de contratação pública poderiam ter sido manipulados para beneficiar empresas previamente escolhidas.


Justiça determina suspensão de contratos públicos


Além das buscas, o Tribunal de Justiça determinou a suspensão de todos os contratos públicos vigentes mantidos com órgãos tocantinenses por 14 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado.

A decisão também impede que esses investigados celebrem novos contratos com a administração pública.


Outras cinco pessoas foram submetidas a medidas cautelares, incluindo restrições de contato com investigados e agentes públicos, proibição de frequentar determinadas prefeituras e câmaras municipais e impedimento de prestar serviços em contratações públicas estaduais.


A Justiça também autorizou a quebra do sigilo bancário dos investigados.


Polícia busca identificar outros envolvidos


Com o cumprimento dos mandados, a Polícia Civil pretende aprofundar a análise de documentos, equipamentos eletrônicos e movimentações financeiras para esclarecer a participação individual dos investigados.


Outro objetivo é identificar possíveis beneficiários ainda não relacionados ao esquema e calcular o eventual prejuízo causado aos cofres públicos.


A Operação ÔM3GA representa uma nova etapa de uma investigação que começou em dois municípios e passou a alcançar diferentes estruturas administrativas do Tocantins.


Até o momento, as informações divulgadas tratam de suspeitas e indícios investigativos, não de condenações. A responsabilidade criminal de cada envolvido dependerá da continuidade das apurações e das decisões judiciais.


Os nomes dos quatro prefeitos investigados não foram informados no material oficial apresentado.

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