Eduardo é acusado de chefiar desvio bilionário na AGETRANS: nova ação detalha fraude de R$ 1,2 bilhão com propina, empresas de fachada e licitações simuladas
- Wasthen Menezes

- 30 de jun. de 2025
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José Eduardo Siqueira Campos, prefeito afastado de Palmas e atualmente preso por decisão do STF, virou réu em uma nova ação civil pública que o aponta como o chefe de um esquema que desviou mais de R$ 1,2 bilhão da AGETRANS, a antiga Agência de Transportes e Obras do Tocantins.
A denúncia, com mais de mil páginas, revela uma rede criminosa montada entre 2012 e 2014 para fraudar três grandes financiamentos públicos com recursos do BNDES e do Banco do Brasil. Segundo o Ministério Público, o plano era executado em seis fases, incluindo licitações direcionadas, adições contratuais artificiais, medições falsas de obras, e distribuição de propinas em dinheiro vivo, imóveis e campanhas políticas.
Na época dos fatos, Eduardo ocupava o cargo de secretário do Planejamento e, de acordo com a acusação, era o elo entre os interesses das empreiteiras e a máquina pública. O MP afirma que o ex-governador Siqueira Campos, pai de Eduardo, também tinha ciência do esquema.
A ação expõe que sete empreiteiras formavam um cartel e revezavam a vitória nos certames, sempre com o aval do núcleo administrativo da AGETRANS, liderado por Alvicto Ozores Nogueira e outros servidores. Documentos oficiais, prints de e-mails e perícias comprovam que obras foram pagas mesmo sem execução, com engenheiros assinando medições sem visitar os locais.
O MP pede a condenação de Eduardo por improbidade administrativa, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por até 14 anos e ressarcimento integral do prejuízo. O valor de R$ 1,2 bilhão citado corresponde ao total dos financiamentos firmados e está sob apuração quanto ao montante efetivamente desviado.
Por que o nome “Ápia”? Operação faz alusão à estrada romana para expor fraudes em obras públicas no Tocantins
A Operação Ápia recebeu esse nome em referência à Via Ápia, uma das mais antigas e importantes estradas do Império Romano, construída para ligar Roma ao sul da Itália. A escolha do nome tem caráter simbólico: enquanto a via romana representava uma obra sólida, funcional e estratégica, as obras investigadas no Tocantins foram marcadas por fraudes, superfaturamento e corrupção. A ironia do nome destaca o contraste entre a grandiosidade prometida e a realidade dos desvios milionários apurados pela Polícia Federal.
A defesa do réu nega todas as acusações, argumenta ausência de dolo e apresentou contestação à Justiça Estadual em 15 de maio de 2025. O caso corre paralelamente à prisão de Eduardo por obstrução de Justiça e vazamento de informações sigilosas, apontando para um padrão contínuo de práticas ilícitas.
A notícia exclusiva é do site www.palmasturbonews.com.br de acordo com o Portal Palmas Turbo News, tentou contato com o prefeito afastado e seus representantes, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O direito de resposta permanece assegurado.




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