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Após receber R$ 3,18 milhões em recursos partidários, Eli Borges muda de lado e reclama de apoio na campanha

há 9 horas
2 min de leitura

Derrotado na disputa pelo Senado, deputado abandona o grupo de Dorinha, declara apoio a Vicentinho Júnior e reage às críticas do governador Wanderlei Barbosa. Prestação de contas revela os valores destinados à sua candidatura.


O deputado federal Eli Borges (Republicanos) divulgou neste sábado, 10 de outubro, um vídeo em resposta ao governador Wanderlei Barbosa, afirmando que teve sua honra atacada após decidir apoiar Vicentinho Júnior (PSDB) no segundo turno das eleições para o Governo do Tocantins.


A mudança de posição, entretanto, chama atenção por um detalhe financeiro: a campanha de Eli Borges recebeu R$ 3.188.711,41 em repasses partidários, conforme dados da prestação de contas eleitoral.

Desse montante, R$ 2.985.205,86 vieram da direção nacional do Republicanos e R$ 200.555,55 da direção estadual da legenda. Outros R$ 2.950 foram repassados pelo PL. A arrecadação total declarada chegou a R$ 3.231.711,41.


Dinheiro recebido, derrota nas urnas e mudança de lado


Eli Borges conquistou 271.829 votos, mas não conseguiu uma vaga no Senado. Poucos dias depois, deixou o grupo político que apoiava Professora Dorinha e anunciou adesão justamente ao seu adversário, Vicentinho Júnior.


No pronunciamento, o deputado não negou os recursos recebidos. Alegou, porém, que os repasses ocorreram com atraso, que não teve o apoio esperado de prefeitos do partido e que recebeu pouco espaço em eventos políticos.


As reclamações podem ser legítimas e merecem esclarecimento. Mas existe uma questão política inevitável: se o deputado já enfrentava essas dificuldades durante a campanha, por que o rompimento aconteceu somente depois da derrota eleitoral?


Wanderlei, por sua vez, afirma que o partido garantiu recursos, estrutura e apoio político à candidatura do parlamentar, rejeitando a acusação de que teria prejudicado Eli.


O que realmente motivou a mudança?


A derrota eleitoral não impede nenhum político de rever alianças. Entretanto, quando essa mudança acontece imediatamente após uma campanha financiada com milhões de reais em recursos partidários, o eleitor tem o direito de questionar a coerência da decisão.


O vídeo evidencia que a distribuição e o momento da liberação dos recursos estão entre os principais motivos de insatisfação apresentados pelo deputado.

Isso não comprova que sua adesão a Vicentinho tenha resultado de negociação financeira ou de qualquer vantagem pessoal.


Mas deixa uma pergunta que Eli Borges ainda precisa responder politicamente: a mudança foi resultado de novas convicções para o Tocantins ou das insatisfações acumuladas após uma eleição que não terminou como ele esperava?


Na política, a coerência não se mede apenas pelo discurso. Também se mede pelas decisões tomadas antes e depois das urnas.

 
 
 

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