Homem que matou ex-companheira e manteve corpo em cama por 24 horas é condenado a mais de 57 anos de prisão no Tocantins
Homem que matou ex-companheira e manteve corpo em cama por 24 horas é condenado a mais de 57 anos de prisão no Tocantins
Cleofas Rodrigues Cardoso foi condenado por feminicídio e ocultação de cadáver; crime aconteceu em Gurupi e foi descoberto após a filha desconfiar da versão apresentada pelo pai
A Justiça do Tocantins condenou Cleofas Rodrigues Cardoso a 57 anos, 10 meses e 15 dias de prisão pela morte da ex-companheira, Maysa Rodrigues Fernandes Cardoso, de 35 anos. O crime aconteceu em novembro de 2025, em Gurupi, na região sul do estado.
Cleofas foi condenado pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver. Após matar a vítima, ele teria mantido o corpo dentro da residência, sobre a cama do casal, por aproximadamente 24 horas antes de levá-lo para uma área de mata e enterrá-lo.
A sentença determinou ainda a manutenção da prisão preventiva e o início imediato do cumprimento da pena em regime fechado.
Segundo o Ministério Público do Tocantins (MPTO), os jurados reconheceram circunstâncias que agravaram a pena, entre elas o uso de asfixia, o emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e o fato de o crime ter ocorrido enquanto os três filhos de Maysa estavam na residência.
Corpo ficou na cama por cerca de 24 horas
O crime ocorreu na madrugada de 9 de novembro de 2025, no Setor Novo Horizonte, em Gurupi.
Conforme a acusação, depois de cometer o feminicídio, Cleofas manteve o corpo de Maysa sobre a cama do casal por aproximadamente um dia.
Na noite seguinte, ele teria enrolado o corpo em um lençol e o levado para uma área de mata próxima à residência, onde fez o enterro.
Filha desconfiou da versão apresentada pelo pai
Após a morte de Maysa, Cleofas teria informado aos familiares que a mulher havia morrido em decorrência de uma suposta overdose de álcool.
A versão, porém, levantou suspeitas. A filha do casal, de 18 anos, procurou a Polícia Militar e relatou a situação.
Enquanto acompanhavam a jovem até a residência da família para verificar o caso, os policiais teriam sido alertados por ela sobre o carro do pai. Segundo a PM, Cleofas foi abordado e demonstrou nervosismo.
Inicialmente, ele manteve a versão de que Maysa havia morrido por overdose e afirmou que o corpo teria sido retirado da casa por uma funerária, sem velório ou sepultamento.
Diante das contradições, os policiais acompanharam Cleofas e a filha até a residência. No local, segundo o relato policial, o homem acabou confessando o assassinato.
Réu já respondia por violência doméstica contra a vítima
Durante o julgamento, a Justiça também considerou que Cleofas estava em regime aberto por outro crime relacionado à violência doméstica praticado contra a mesma vítima.
De acordo com o MPTO, essa circunstância foi considerada na análise da culpabilidade e contribuiu para o aumento da pena-base.
Os jurados também reconheceram agravantes relacionadas à forma como o crime foi cometido, incluindo a asfixia, a presença dos filhos da vítima na residência e o fato de Maysa ser mãe de crianças e adolescentes.
Pena ultrapassa 57 anos
Pelo feminicídio, Cleofas foi condenado a 56 anos, 10 meses e 15 dias de prisão. Pela ocultação de cadáver, recebeu mais um ano de reclusão e dez dias-multa.
Com isso, a pena total chegou a 57 anos, 10 meses e 15 dias, em regime inicialmente fechado.

A defesa do condenado não foi localizada para comentar a decisão. Cabe recurso.

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