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CASO CASA MIGUEL ARCANJO: Polícia Civil conclui inquéritos e indicia Pai Fábio de Oxoguiã, ex-coordenador de setorial do PT, por 19 crimes em Palmas

Atualizado: há 6 horas

Imagem ilustrativa: Opinativo Político
Imagem ilustrativa: Opinativo Político

Investigação da 3ª DP revela rotina de abusos sexuais, agressões físicas, chantagem espiritual e consumo forçado de drogas sob comando do dirigente religioso e ex-membro da gestão partidária no Tocantins.


A Polícia Civil do Estado do Tocantins, por meio da 3ª Delegacia de Polícia de Palmas, concluiu sete inquéritos policiais que investigavam uma série de abusos e crimes cometidos contra frequentadores da Casa Acolhida Miguel Arcanjo, na Capital. Ao término dos trabalhos conduzidos pelo delegado Dr. Túlio Pereira Mota, o dirigente espiritual Fábio Coelho Leite, conhecido publicamente como Pai Fábio de Oxoguiã, foi formalmente indiciado por 19 crimes.


Pai Fábio de Oxum exercia cargo de liderança partidária no Tocantins como Coordenador do Setorial Inter-religioso do Partido dos Trabalhadores (PT). Conforme documento oficial (Ofício nº 001/2026 – Setorial Inter-religioso PT/TO), o investigado formalizou um pedido de licença das funções da coordenação em 28 de janeiro de 2026, alegando razões de ordem pessoal logo após a eclosão das denúncias.


Segundo os inquéritos da Polícia Civil, ele se valia de sua posição de autoridade espiritual e do prestígio político-partidário para estabelecer um ambiente de dominação, controle psicológico e extrema submissão sobre os frequentadores do terreiro.


Chantagem espiritual, devassa confidencial e controle


As investigações apontam que confidências e segredos pessoais revelados pelas vítimas durante atendimentos espirituais privados eram utilizados pelo dirigente para expô-las e constrangê-las publicamente diante de outros membros da instituição.


Para impedir que as vítimas abandonassem o local ou procurassem as autoridades, o acusado fazia ameaças diretas de punições transcendentais, afirmando que quem deixasse a Casa Miguel Arcanjo seria acometido por doenças graves, males espirituais e até a morte.


Agressões físicas, abuso sexual e uso forçado de entorpecentes


O conjunto de provas reunido pela 3ª DP de Palmas detalha graves violações ocorridas no interior do espaço religioso:


Importunação e assédio sexual: Uma das vítimas relatou ter sido submetida a toques de teor sexual sem consentimento durante um ritual, sob o argumento de que o dirigente estaria "incorporado por uma entidade". A mulher ainda sofreu perseguição posterior e teve sua casa invadida à noite pelo investigado.


Agressões e impedimento de socorro médico: Uma frequentadora relatou ter sofrido agressões físicas e ter sido impedida de buscar atendimento hospitalar mediante coação espiritual. Em outro episódio, uma mãe foi constrangida a não prestar assistência à própria filha que necessitava de cuidados médicos.


Indução ao uso de drogas: A polícia identificou elementos que comprovam o fornecimento e a indução ao consumo de substâncias ilícitas, incluindo maconha e cocaína, sob a justificativa de que as drogas facilitariam uma suposta "conexão espiritual".


Atos discriminatórios: O investigado também responderá por agressões verbais, humilhações e manifestações preconceituosas direcionadas à raça, orientação sexual e identidade de gênero das vítimas.


Resumo dos 19 indiciamentos


Com base nos depoimentos de vítimas e testemunhas, gravações em áudio, laudos periciais e relatórios técnicos, a Polícia Civil atribuiu 19 infrações penais a Fábio Coelho Leite:


Violência psicológica contra a mulher: 6 indiciamentos


Ameaça: 3 indiciamentos


Injúria e injúria real: 2 indiciamentos


Importunação sexual e violação de domicílio: Indiciado


Lesão corporal e perseguição: Indiciado

Crimes de discriminação (raça e identidade de gênero): Indiciado


Indução ao consumo de drogas ilícitas: Indiciado

Com a conclusão dos sete procedimentos policiais, os inquéritos foram remetidos ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Estado do Tocantins para a apresentação formal da denúncia e prosseguimento da ação penal.

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