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Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária que deixou milhões sem acesso ao próprio dinheiro

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária que deixou milhões sem acesso ao próprio dinheiro

há 23 horas
4 min de leitura

Colapso do Ueno Bank provocou protestos, investigações e pressão por impeachment; presidente perdeu apoio até de integrantes de seu próprio partido.


O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, sua renúncia ao cargo, em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições bancárias digitais do país.


A decisão foi comunicada por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais, enquanto a Câmara dos Deputados paraguaia discutia a abertura de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo.


A crise ganhou proporções nacionais após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que possuía aproximadamente 3 milhões de clientes. A suspensão das operações deixou uma parcela significativa da população sem acesso imediato aos próprios recursos, provocando manifestações e aumentando a pressão sobre o governo.


Crise bancária desencadeou instabilidade política


O episódio começou a ganhar força no início desta semana, quando autoridades financeiras paraguaias identificaram problemas relacionados à solvência do Ueno Bank.


Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a instituição apresentava irregularidades em operações de crédito, inconsistências contábeis e dificuldades para cumprir exigências mínimas de capital estabelecidas pelos órgãos reguladores.


Com a intervenção, clientes ficaram impossibilitados de realizar transferências, utilizar cartões e movimentar normalmente suas contas.


O impacto foi imediato. Centenas de pessoas passaram a procurar agências bancárias em busca de informações sobre seus depósitos, enquanto manifestações tomaram as ruas de Assunção, capital do Paraguai.


A situação também provocou preocupação entre investidores e levantou questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro paraguaio.


Ligações empresariais de Peña ampliaram pressão


Um dos principais fatores que transformaram a crise bancária em uma crise presidencial foram as antigas relações empresariais de Santiago Peña com o grupo controlador do Ueno Bank.


O presidente foi acionista do Grupo Vázquez, ligado à instituição financeira, até março de 2025.


Parlamentares da oposição passaram a questionar possíveis conflitos de interesses, a utilização de recursos públicos e previdenciários e a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização bancária.


As acusações também envolveram suspeitas de favorecimento e eventual omissão de autoridades diante de problemas financeiros da instituição.

Peña negou irregularidades e sustentou que as responsabilidades deveriam ser apuradas pelos órgãos competentes.


As investigações avançaram sobre a administração do banco, com a detenção de oito executivos e a apuração de possíveis crimes financeiros.


Até o momento, as suspeitas levantadas contra o presidente não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.


Presidente perdeu apoio dentro do próprio partido


A permanência de Santiago Peña no cargo tornou-se politicamente insustentável após o avanço das articulações para abertura de um processo de impeachment.


Integrantes do Partido Colorado, legenda conservadora à qual pertence o presidente, passaram a apoiar sua saída.


O ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais lideranças políticas paraguaias, também retirou seu apoio ao mandatário.


Com a pressão crescente e manifestações populares exigindo respostas sobre os recursos bloqueados, Peña decidiu apresentar sua renúncia antes da conclusão do processo de impeachment.


Em seu pronunciamento, afirmou que a decisão foi tomada para preservar a estabilidade política, a paz social e as instituições democráticas do Paraguai.

O presidente também pediu desculpas à população por eventuais falhas durante sua administração, embora não tenha assumido responsabilidade direta pelo colapso bancário.


Quem assume a Presidência do Paraguai?


Com a saída de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país, conforme as regras constitucionais paraguaias.

A renúncia precisa cumprir os procedimentos formais de apreciação pelo Congresso Nacional.


Caso a sucessão seja concluída, Alliana ficará responsável por completar o mandato presidencial, previsto para terminar em 15 de agosto de 2028.

A nova administração terá como principais desafios restabelecer a confiança no sistema financeiro, garantir a proteção dos depósitos bancários e administrar as consequências políticas da crise.


Milhões de clientes aguardam solução


Além da mudança no comando do governo, a principal preocupação da população paraguaia continua sendo a recuperação dos recursos mantidos no Ueno Bank.

O Banco Central iniciou procedimentos para proteger os depositantes e transferir contas e ativos viáveis para outras instituições financeiras.


As autoridades também investigam a administração do banco e possíveis irregularidades envolvendo operações de crédito e recursos públicos.

A crise atingiu uma instituição que havia registrado crescimento acelerado nos últimos anos e conquistado espaço significativo no mercado financeiro paraguaio.


O episódio representa um dos maiores desafios recentes à estabilidade institucional do país, colocando em discussão a transparência das relações entre o poder político, o sistema bancário e os órgãos reguladores.


Uma crise com repercussões internacionais


A renúncia de Santiago Peña também chama a atenção de países vizinhos, incluindo o Brasil, que mantém importantes relações comerciais e econômicas com o Paraguai.


A instabilidade política e bancária poderá afetar a confiança de investidores estrangeiros, especialmente diante das dúvidas sobre a fiscalização das instituições financeiras.


Eleito em 2023, Santiago Peña deixa o cargo antes de completar seu mandato de cinco anos.

Sua saída ocorre em um momento de forte pressão popular, investigações financeiras e questionamentos sobre a relação entre interesses empresariais e decisões governamentais.


O futuro político do Paraguai dependerá agora da condução da sucessão presidencial, da recuperação dos recursos dos correntistas e do esclarecimento das responsabilidades pelo colapso do Ueno Bank.

 
 
 

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