Overclean: PF prepara relatório individual sobre Vicentinho Júnior em investigação sobre suposto desvio de emendas
- Wasthen Menezes

- há 1 dia
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A Operação Overclean entrou em uma nova etapa que aumenta a atenção sobre o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB-TO). A Polícia Federal prepara relatórios individualizados para analisar a atuação de parlamentares que aparecem nas investigações sobre um suposto esquema envolvendo emendas, contratos públicos e fraudes em licitações.
A informação foi publicada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, em 31 de agosto de 2026.
Além de Vicentinho Júnior, aparecem nessa frente de investigação os deputados Dal Barreto (União Brasil-BA), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) e Elmar Nascimento (União Brasil-BA).
Os parlamentares negam irregularidades. Também é importante destacar que eles não estão entre as 25 pessoas indiciadas pela Polícia Federal na etapa já concluída da investigação.
PF vai analisar separadamente cada parlamentar
O ponto que agora chama atenção é a preparação de relatórios específicos sobre cada deputado.
A Polícia Federal pretende individualizar as condutas e verificar a relação dos parlamentares com emendas destinadas a municípios alcançados pelas investigações.
Na prática, os investigadores procuram identificar o caminho percorrido pelo dinheiro público, os contratos financiados pelos recursos e se existem elementos que relacionem cada parlamentar às supostas irregularidades.
A indicação de uma emenda, isoladamente, não representa crime. Por isso, a individualização é fundamental para determinar se existem ou não elementos que indiquem eventual participação dos políticos nas irregularidades investigadas.
Operação já resultou em 25 indiciamentos
A nova movimentação ocorre depois de a Polícia Federal indiciar 25 pessoas na Operação Overclean.
Entre os indiciados está o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, apontado nas investigações como personagem central do suposto esquema.
A investigação apura, entre outros crimes, suspeitas de corrupção, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo informações já divulgadas sobre a operação, os contratos sob investigação alcançam aproximadamente R$ 1,4 bilhão.
Uma empresa ligada a José Marcos de Moura, a MM Consultoria Construções e Serviços Ltda., também teria movimentado mais de R$ 861 milhões em operações consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Tocantins aparece no alcance da investigação
Embora a Overclean tenha avançado inicialmente com forte concentração na Bahia, as investigações alcançaram contratos e recursos públicos relacionados a outros estados, incluindo o Tocantins.
Empresas relacionadas aos investigados tiveram contratos em diferentes municípios e estados, enquanto a Polícia Federal passou a aprofundar a análise sobre a origem dos recursos e as emendas utilizadas para financiar determinadas obras e serviços.
Parte relevante das investigações envolve recursos que passaram pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).
A suspeita investigada é de que recursos públicos, inclusive provenientes de emendas parlamentares, teriam sido direcionados para municípios e posteriormente utilizados em licitações supostamente manipuladas em benefício de empresas integrantes do esquema.
Vicentinho Júnior permanece como investigado
No caso de Vicentinho Júnior, a situação exige uma distinção importante: o deputado aparece entre os parlamentares investigados, mas não está entre as 25 pessoas indiciadas pela Polícia Federal nessa etapa da Overclean.
O parlamentar nega irregularidades.
A elaboração do relatório individual sobre sua atuação poderá ser determinante para os próximos passos da investigação.
A Polícia Federal deverá analisar os elementos reunidos e apontar se existem ou não indícios suficientes para atribuir eventual responsabilidade criminal ao deputado.
Como o caso envolve parlamentares com foro por prerrogativa de função, parte da investigação tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.
Relatórios podem definir futuro da investigação
A expectativa agora está concentrada justamente na conclusão desses relatórios individualizados.
Eles deverão separar o que foi encontrado em relação a cada parlamentar e permitir uma avaliação específica sobre eventual participação no esquema investigado.
Somente após a conclusão dessa análise será possível saber se a Polícia Federal entende que existem elementos para avançar contra algum dos deputados.
Indiciamento, quando ocorre, também não significa condenação. Trata-se de uma conclusão da autoridade policial dentro da investigação. Eventual denúncia cabe posteriormente ao Ministério Público, e a responsabilização criminal depende de decisão judicial.
No Tocantins, a atenção recai especialmente sobre Vicentinho Júnior, diante da nova fase de análise individual das condutas dos parlamentares alcançados pela Operação Overclean.

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