IML confirma múltiplas agressões contra criança de 3 anos encontrada morta em Palmas
- Wasthen Menezes
- há 17 horas
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Exame pericial aponta que Gustavo Veloso Feitosa sofreu lesões graves antes da morte. Polícia Civil investiga possível homicídio e apura a participação do pai da criança.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que o menino Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, morreu em decorrência de múltiplas agressões e violência sexual. O documento pericial concluiu que a morte ocorreu com "crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões", descartando, até o momento, indícios de afogamento, hipótese inicialmente apresentada pelo pai da criança.
Gustavo foi encontrado morto em uma residência na região norte de Palmas, após o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, pai do menino, procurar a Polícia Civil e informar que o filho teria sofrido um afogamento na piscina da casa. Diante das circunstâncias e dos sinais encontrados no corpo da vítima, o caso passou a ser investigado pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Violência extrema
O laudo pericial descreve um cenário de extrema violência. Segundo o diretor do Instituto Médico Legal, Eduardo Godinho, a criança apresentava diversas lesões externas e internas incompatíveis com um acidente.
"Foi uma causa pouco comum a gente ver uma criança chegar em tal estado. Muita violência. Sinais de violência pela face, pelo intestino, internamente. Isso não é comum nos dias de hoje. Até agora, o primeiro exame não tem indício nenhum de afogamento. Ali realmente foi outro tipo de trauma que levou à causa da morte", afirmou o médico legista em entrevista à TV Anhanguera.
De acordo com o IML, Gustavo sofreu hemorragia interna, apresentava marcas de agressões na face e laceração intestinal, além de sinais de violência sexual. Exames complementares para pesquisa de sêmen, álcool e drogas foram solicitados e deverão ser incorporados ao inquérito policial assim que os resultados forem concluídos.
Investigação
A Polícia Civil instaurou um inquérito para esclarecer as circunstâncias da morte e apurar a possível participação do pai da criança.
O delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios, informou que as investigações tiveram início após a constatação de indícios de violência no corpo da vítima.
Segundo ele, os laudos periciais serão fundamentais para determinar se o caso se trata de um homicídio e para identificar a autoria do crime.
A Secretaria da Segurança Pública informou que familiares e testemunhas começaram a ser ouvidos ainda na segunda-feira (3). Outros detalhes da investigação permanecem sob sigilo para não comprometer o andamento das apurações.
Defesa do pai
Por meio da defesa, Igor Gustavo Veloso de Sousa afirmou que o filho teria se afogado na piscina da residência no domingo (2), sendo socorrido ainda no local.
Segundo os advogados, na manhã de segunda-feira (3), ele encontrou a criança sem sinais vitais. A defesa sustenta que, abalado emocionalmente e desorientado, o pai deixou a residência, mas posteriormente compareceu espontaneamente à delegacia, comunicou o ocorrido, prestou esclarecimentos e entregou as chaves da casa para a realização da perícia.
Após prestar depoimento na segunda-feira, o investigado foi liberado e, até o momento, não há informação sobre prisão relacionada ao caso.
Histórico familiar
Os pais de Gustavo não viviam juntos e mantinham disputas judiciais envolvendo guarda e pensão alimentícia.
Um vídeo gravado no fim de semana anterior à morte ganhou repercussão nas redes sociais. Nas imagens, a criança demonstra resistência em ir para a casa do pai. Ao ser questionado pela mãe sobre o motivo, responde: "Porque ele me bate."
Os advogados que representam a mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa, afirmaram que ela relatava episódios em que o filho retornava das visitas com machucados, mas alegam que ela temia represálias.
Segundo a advogada Stella Bueno, a mãe também receava que medidas mais severas pudessem resultar em acusações de alienação parental.
"Ela já havia me reportado diversas situações em que a criança chegava machucada das visitas. No entanto, o medo e o temor dela pela própria vida e pela vida do filho, da família, em relação a ele, em virtude das ameaças, impedia ela de nos permitir que tomássemos providências mais drásticas naquele momento", afirmou.
Comoção
O corpo de Gustavo Veloso Feitosa foi velado e sepultado na terça-feira (4), sob forte comoção de familiares, amigos e moradores de Palmas.
Durante o velório, parentes pediram celeridade nas investigações e responsabilização dos envolvidos.
Emocionada, a mãe da criança fez um apelo por justiça.
"Eu quero justiça pelo meu filho", declarou.

A Polícia Civil aguarda a conclusão dos exames complementares para dar continuidade às investigações e esclarecer todas as circunstâncias da morte da criança.

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