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Enfermeira é vítima de feminicídio em Palmas; ex-marido morre após confronto com a Polícia Militar

Morgana Vieira Monteiro, de 45 anos, tentou se proteger trancando-se no banheiro, segundo testemunhas; suspeito foi localizado após cerca de quatro horas de buscas


A enfermeira Morgana Vieira Monteiro, de 45 anos, foi vítima de feminicídio na noite desta segunda-feira (27), em sua residência, localizada na quadra 1503 Sul, em Palmas. O principal suspeito do crime é o ex-marido da vítima, Lelito Tavares Barbosa, que morreu horas depois durante uma intervenção policial após fugir do local e ser encontrado escondido em uma área de mata.


De acordo com informações apuradas pela TV Anhanguera, Morgana tentou escapar das agressões ao se trancar no banheiro da residência. Pessoas que estavam na casa e testemunhas que tentaram ajudá-la relataram que a enfermeira buscou refúgio no cômodo na tentativa de preservar a própria vida.

Morgana atuava como enfermeira assistencialista na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porto Nacional e deixa duas filhas. O velório está sendo realizado na Feira Municipal Moacir Sotero, em Tocantínia.


Crime mobilizou equipes da Polícia Militar

Em entrevista concedida à TV Anhanguera na manhã desta terça-feira (28), o tenente-coronel Gustavo Bolentini informou que as primeiras informações apontam que o suspeito invadiu a residência após pular o muro da casa da ex-companheira.

Segundo o oficial, a ação ocorreu de forma rápida, surpreendendo a vítima e as pessoas que estavam no imóvel.


"A informação inicial que nós temos é que ele saltou o muro da casa dela. Tinha com ela algumas pessoas e ela foi surpreendida de forma muito rápida. Quem acionou a Polícia Militar foram os vizinhos, que perceberam a movimentação. A polícia chegou rapidamente, inclusive nem deu tempo dele fugir da própria quadra", afirmou.

Após o crime, o suspeito deixou o local portando uma pistola. A Polícia Militar montou um cerco na região e iniciou buscas com apoio do Batalhão de Polícia de Choque, do Grupo de Operações com Cães (GOC) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope).


Suspeito foi localizado em área de mata

As buscas se estenderam por aproximadamente quatro horas, até que o suspeito foi encontrado escondido em uma região de mata próxima ao local do crime.

Segundo o tenente-coronel Gustavo Bolentini, o cão farejador do Grupo de Operações com Cães conseguiu identificar o caminho percorrido pelo suspeito, conduzindo as equipes até o ponto onde ele estava escondido.

De acordo com a Polícia Militar, durante a abordagem, o homem efetuou disparos contra as equipes policiais. Houve revide e ele foi atingido. O Corpo de Bombeiros foi acionado para prestar socorro, mas o suspeito não resistiu aos ferimentos e morreu no local.


Feminicídios apresentam crescimento no Tocantins

O caso ocorre em meio ao aumento dos índices de feminicídio no Tocantins.

Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado neste ano, 20 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado em 2025, número 52,8% superior ao registrado em 2024, quando foram contabilizados 13 casos.

Dados do Núcleo de Coleta e Análise Estatística da Secretaria da Segurança Pública (SSP) apontam ainda que, entre janeiro e 13 de julho de 2026, o Tocantins já havia registrado cinco feminicídios.


Polícia reforça importância da denúncia

Durante a entrevista, o tenente-coronel Gustavo Bolentini destacou que a violência contra a mulher costuma ocorrer de forma progressiva, iniciando com agressões psicológicas e ameaças antes de evoluir para episódios mais graves.

Segundo ele, é fundamental que as vítimas procurem ajuda e denunciem qualquer situação de violência.


"A nossa indicação é fazer a denúncia. Há uma escalada da violência contra a mulher. Essa violência não acontece de imediato com a agressão física, com o feminicídio. Começa com xingamentos, quebrando objetos dentro de casa e com ameaças, evoluindo para situações cada vez mais graves. Por isso, orientamos as mulheres a buscarem apoio, a denúncia e as medidas de proteção disponíveis."

Como denunciar casos de violência contra a mulher



A Lei Maria da Penha estabelece mecanismos de proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar, incluindo medidas protetivas de urgência, atendimento especializado e acompanhamento pelas redes de assistência.

As denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais:

  • Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher, com ligação gratuita e funcionamento nacional;

  • Polícia Militar (190) – para situações de emergência ou risco iminente;

  • Delegacias de Polícia, preferencialmente nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam);

  • Aplicativo Direitos Humanos Brasil;

  • Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, por meio da plataforma oficial do Governo Federal;

  • Centros de Referência de Atendimento à Mulher, que oferecem acolhimento, orientação jurídica, atendimento psicológico e encaminhamento à rede de proteção.


As autoridades reforçam que denunciar os primeiros sinais de violência é uma medida essencial para interromper o ciclo de agressões e preservar vidas.

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