Diretora que chamou autismo de “transtorno da moda” retorna ao cargo em Gurupi após decisão da Justiça
- Wasthen Menezes

- há 3 horas
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A diretora da Escola Municipal de Tempo Integral Odair Lúcio, em Gurupi, sul do Tocantins, foi reconduzida ao cargo nesta semana após decisão liminar da Justiça, que suspendeu o afastamento determinado pela Prefeitura. O caso ganhou repercussão após a gestora afirmar, em vídeo divulgado nas redes sociais, que o autismo seria um “transtorno da moda”.
A decisão judicial foi proferida na terça-feira, 21 de abril de 2026, e determina o retorno imediato da diretora à função até julgamento final do processo.
Quando e como começou
A polêmica teve início na semana anterior, por volta do dia 17 de abril, quando começou a circular nas redes sociais um vídeo em que a diretora faz declarações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Na gravação, ela afirma que o autismo seria um “transtorno da moda” e defende que os alunos não deveriam receber tratamento diferenciado dentro da escola.
A fala gerou reação imediata de pais, profissionais da educação e entidades ligadas à inclusão.
Afastamento da diretora
Diante da repercussão, a Prefeitura de Gurupi determinou o afastamento da gestora ainda nos dias seguintes à divulgação do vídeo, como medida administrativa inicial.
A Secretaria Municipal de Educação também anunciou a abertura de procedimento interno para apurar a conduta da diretora.
O que diz a Prefeitura
Em nota oficial divulgada após o caso, a Prefeitura de Gurupi afirmou:
“A Prefeitura de Gurupi reafirma seu compromisso com a educação inclusiva e com o respeito às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A rede municipal conta com estrutura adequada para atendimento especializado, incluindo salas de recursos multifuncionais e profissionais capacitados. O caso está sendo apurado e todas as medidas administrativas cabíveis foram adotadas.”
Decisão da Justiça e retorno ao cargo
Após o afastamento, a diretora recorreu à Justiça alegando que a medida foi aplicada sem a abertura formal de um processo administrativo disciplinar.
Ao analisar o pedido, o Judiciário entendeu que o afastamento não poderia ser mantido sem o devido processo legal, que garante direito à defesa e ao contraditório.
Com isso, foi concedida liminar determinando a recondução da diretora ao cargo, decisão que passou a valer imediatamente.
Situação atual
Com a decisão, a diretora voltou a exercer a função na unidade escolar, mesmo com a investigação ainda em andamento.
A Prefeitura informou que o procedimento administrativo segue normalmente, podendo resultar em novas medidas ao final da apuração.
O que ainda pode acontecer
A decisão é provisória e pode ser revista ao longo do processo judicial.
Paralelamente, a apuração interna conduzida pela Secretaria de Educação deve definir se houve irregularidade administrativa e quais eventuais sanções poderão ser aplicadas.
Contexto e repercussão
O caso reacendeu o debate sobre educação inclusiva e a preparação de profissionais da rede pública para lidar com alunos com TEA.
Entidades e familiares de pessoas com autismo classificaram a declaração como inadequada e cobraram posicionamentos mais firmes do poder público.
Entenda o caso:




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