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Como um empresário perdeu R$ 9 milhões: os bastidores da Operação Dolos investigada pela Polícia Civil

Veículos de luxo foram apreendidos durante operação - Foto: José Domingos
Veículos de luxo foram apreendidos durante operação - Foto: José Domingos

Na quarta-feira, 24 de junho de 2026, a Polícia Civil do Tocantins deflagrou a Operação Dolos, cumprindo 12 mandados de busca e apreensão nos estados do Tocantins, Goiás e Pará. A ação, coordenada pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª DEIC – Palmas), investiga um suposto esquema de estelionato qualificado, lavagem de dinheiro e organização criminosa que teria causado um prejuízo estimado em R$ 9 milhões a um empresário do ramo farmacêutico do Paraná.


Por que o nome “Operação Dolos”?


O nome da operação faz referência ao termo grego “dólos”, associado ao engano, à fraude e ao ardil utilizado para induzir alguém ao erro. Na mitologia grega, Dolos é a personificação da astúcia e da trapaça. Segundo a Polícia Civil, a escolha faz alusão ao suposto método empregado pelo grupo investigado para convencer a vítima a realizar investimentos milionários por meio de falsas promessas de negócios lucrativos.


Como o empresário perdeu R$ 9 milhões?


De acordo com a investigação, o empresário foi procurado pelos suspeitos e convencido a investir em uma distribuidora de medicamentos sediada em Palmas. A proposta apresentada era de que os recursos seriam utilizados para a aquisição de medicamentos destinados ao cumprimento de contratos públicos que estariam sendo executados nos estados da Bahia e do Acre, prometendo retorno financeiro elevado.


Confiando na negociação, a vítima realizou sucessivos aportes financeiros que, segundo a Polícia Civil, totalizaram aproximadamente R$ 9 milhões.

No entanto, conforme apontam as investigações, os medicamentos que justificariam o investimento não chegaram a ser adquiridos. A suspeita é de que o dinheiro tenha sido desviado e utilizado para outras finalidades, dando origem ao prejuízo milionário que motivou a investigação criminal.


Suspeita de lavagem de dinheiro


Além da suposta fraude inicial, a Polícia Civil apura indícios de que o grupo tenha utilizado empresas, contas bancárias e diversas movimentações financeiras para dificultar o rastreamento dos recursos.


Os investigadores também suspeitam que parte do dinheiro possa ter sido convertida na aquisição de bens de alto valor e na movimentação patrimonial incompatível com a renda declarada dos investigados, hipótese que fundamenta a investigação por lavagem de dinheiro.


Mandados em três estados


Por determinação da 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Tocantins, Goiás e Pará.


Além das buscas, a Justiça autorizou medidas como:


  • bloqueio de ativos financeiros;

  • sequestro de bens móveis e imóveis;

  • restrições sobre veículos e embarcações;

  • quebra de sigilo de dados telemáticos;

  • apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos.


O objetivo é impedir a ocultação do patrimônio e permitir que a polícia identifique o destino dos recursos supostamente desviados.


O que foi apreendido


Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos, veículos, jet skis, materiais ligados ao setor farmacêutico e armas de fogo que agora passarão por perícia.


Em uma das diligências, um homem foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo e encaminhado para os procedimentos legais.


Ligação com outra investigação


Segundo a Polícia Civil, um dos principais investigados na Operação Dolos já havia sido alvo da Operação Ruach, conduzida pelo Ministério Público do Tocantins para apurar supostas irregularidades envolvendo a aquisição de respiradores durante a pandemia da Covid-19.


Investigações continuam


Com o material apreendido, a expectativa da Polícia Civil é aprofundar a análise das movimentações financeiras, identificar o caminho percorrido pelos cerca de R$ 9 milhões, localizar eventual patrimônio adquirido com os recursos e verificar se existem outros envolvidos ou possíveis vítimas do esquema.


Até o momento, os fatos seguem sob investigação. Os envolvidos ainda não foram condenados pela Justiça e têm assegurados o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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