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Caso Marielle: Peritos denunciam falhas na investigação e clama por autonomia


Diretores da Associação dos Peritos Oficiais do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) levantaram preocupações sobre a investigação do Caso Marielle durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (4). Eles apontaram "pontas soltas" na apuração da morte da vereadora e de seu motorista, Anderson, e ressaltaram que diversos homicídios no estado não passaram por análises científicas.


Thiago Hermida, presidente da Aperj, e Denise Rivera, vice-presidente, destacaram a origem das balas utilizadas no atentado à vereadora, afirmando que faziam parte de um lote da Polícia Federal (PF). Eles questionaram a falta de investigação sobre a procedência desse lote e como as munições chegaram aos autores do crime.


Além disso, os diretores da Aperj lamentaram a falta de recursos e a pouca autonomia dos peritos no Rio de Janeiro. No estado, delegados têm o poder de determinar o que deve ser analisado ou não, o que limita o trabalho da perícia. Hermida ressaltou que a perícia é essencial para a polícia, mas que enfrenta problemas constantes, evidenciados especialmente no Caso Marielle.


Os peritos também denunciaram a falta de compartilhamento de resultados entre diferentes setores da polícia e até mesmo o desaparecimento de evidências cruciais, como um cartão de memória com fotos da necropsia de Marielle e Anderson.


Hermida e Rivera relataram um ambiente de medo entre os peritos, citando represálias como transferências forçadas e pressões para alterar laudos. Eles criticaram a recusa de verbas destinadas à perícia, destacando que o Rio de Janeiro possui um dos menores índices de resolução de crimes do país.


Diante dessas questões, a Aperj reivindica a desvinculação da perícia da Polícia Civil, buscando garantir sua independência e eficiência. Enquanto isso, a Polícia Civil rebateu algumas das alegações, ressaltando que a perícia é realizada em conjunto com investigadores e defendendo a transparência da investigação do Caso Marielle.



O Opinativo Político entrou em contato com o Vice diretor Jurídico da ABC - Associação Brasileira de Criminalística Silvio Marinho Jaca, de acordo com Silvio, "A autonomia da perícia em todos os estados do Brasil é fundamental para garantir a imparcialidade dos exames periciais e a produção de provas técnicas de alta qualidade, promovendo assim um sistema de justiça criminal eficaz. Essa autonomia não só beneficia a sociedade como um todo, evitando impunidade e abusos de autoridade, mas também fortalece a credibilidade do sistema judiciário."

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